Parte II
Neste mesmo domingo, logo mais a noite, todos se encontraram no centro da cidade. Guaxupé é uma cidade pequena, pouco mais de cinqüenta mil habitantes, localizada no sudeste de Minas Gerais estando muito próxima a divisa do estado de São Paulo. Entre meio as conversas Flávia pergunta por Víctor, e este não costumava ficar em casa durante a noite, especialmente nos finais de semana; Fernando diz que ele havia deixado sua casa pouco depois de uma hora da tarde, e que não se sentia bem. Carlos se aproveita:
_ Exagerar na bebida, só pode dar nessas coisas!
_ Pára de implicar com o Victor - Flávia intervém - você não perde uma chance de falar mal do “menino”.
_ Será que o Victor está legal em casa? - pergunta Fernando preocupado e acabando com a discussão.
_ Só porque ele não saiu hoje não quer dizer que ele esteja tão mal assim, amanhã nós veremos em que situação ele se encontra.
_ Não sei não Flávia! Raramente ele fica em casa.
_ Relaxa Alice. Ele deve estar bem!
Alice ficou muito preocupada, porém o susto maior ela teria no outro dia. Segunda-feira e lá estava ela na casa de Seu José a perguntar por Victor, quando recebe a notícia de que ele estava no hospital, abalada ela pergunta:
_ Mas porque Seu José? O que aconteceu? Como ele está?
_ Ainda não sei Alice!
_ Mas como não sabe?
_ Ele se levantou reclamando de uma fraqueza terrível, estava muito pálido, quase desmaiando. Liguei para o hospital pedindo uma ambulância que logo nos pegou.
_ Mas quanto tempo ele vai ficar lá?
_ Eu não sei - lamenta Seu José.
_ Mas então temos que levar algumas coisas para ele, roupas e… - disse Alice esboçando uma tentativa de abrir o quarto de Victor, quanto é interrompida por Seu José.
_ Ele já levou uma mochila com algumas peças de roupa e trancou o quarto logo após. Eu estava no hospital desde manhã, e vim agora tomar um banho e comer alguma coisa.
Perplexa e preocupada, Alice deixa a casa de Seu José e vai a procura de Flávia, que também fica espantada mas consegue manter a calma. Ligaram para Pedro e Fernando para lhes dar a notícia, os dois, juntamente com as meninas são os amigos mais chegados de Victor.
No hospital, Victor muito fraco agradecia em murmúrios a presença dos amigos, dizia ainda não conhecer o diagnóstico médico, mas que a cada minuto parecia estar mais fraco. Nesse exato momento entra na sala o médico responsável por Victor, sua atitude preocupa a todos, pois no lugar da bolsa de soro ele coloca uma bolsa de sangue para ser recebido por Victor. Após a troca, que causou um pasmo unânime, o médico chama o pai de Victor para uma conversa particular. Já em uma sala à parte, o médico revele à Seu José que Victor sofre de uma estranha e aparentemente irremediável hemorragia interna. Nesse meio tempo, Victor recebe mais visitas de seus amigos de passeios noturnos.
Noite de terça-feira, e Seu José observava seu filho que dormia profundamente enquanto a madrugada entrava, um olhar de piedade e desconsolo tomava a face de seu pai que nesse momento também adormeceu, e este dormira sentado, na cadeira ao lado da cama de seu filho.
Ao acordar na manhã de quarta-feira, o pai de Victor não notara sequer uma diferença na posição da qual seu filho havia dormido, preocupado tentara inutilmente acordá-lo, e sai desesperado em busca de auxílio, correndo pelos corredores do hospital.
Tendo sido rapidamente examinado, o médico constata que Victor estava em coma.
Mais tarde, Alice chegando ao hospital, sozinha e bem antes dos seus amigos, é barrada por Seu José, e recebe a má notícia em prantos.
Na quinta-feira à tarde o hospital recebe uma presença muito inusitada. Carlos que ainda não tinha visitado Victor, se encontrava afoito em fazê-lo, e é parado por Alice:
_ Carlos?! O que você está fazendo aqui?
_ Vim ver o meu amigo Victor - responde ele, olhar cínico.
_ Mas ele está em coma, e só dá pra ser visto pelo lado de fora do quarto.
_ Justamente. Você acha que eu iria perder a chance de presenciar a desgraça de meu inimigo? - disse Carlos abrindo um sorriso maquiavélico, cheio de satisfação.
Alice rapidamente se põe pronta a golpeá-lo e empurrá-lo em direção contrária ao quarto de Victor. Fernando de longe vê a cena de dá um astuto grito para Pedro, e os dois correm para separar o conflito. Ao sair do hospital acompanhado por Pedro, Carlos tenta se explicar mas é bruscamente interrompido:

_ Você devia se envergonhar. Não tem perdão para o que você fez. - diz Pedro enraivado.
_ Pois espero que ele morra!
Pedro estava indignado com a frase inescrupulosa dita por Carlos, sua única reação foi se virar e voltar ao hospital.